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Existe vida sexual na maturidade ou o tesão acaba com a idade?

Por Mirian Goldenberg    Antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é autora de “A Invenção de uma Bela Velhice”

 

Existe vida sexual na maturidade? O tesão ainda rola depois dos 60, 70 e 80? Ou o tesão acaba com a idade?

Em um vídeo do canal das Avós da Razão no YouTube, de 26 de janeiro de 2023, as irreverentes, inteligentes e divertidas Gilda e Sonia estão de biquíni na praia de São Vicente, tomando um drinque no “boteco das Avós no Verão”.

Sonia lê a pergunta de uma seguidora: “Oi Avós, eu queria saber: como é a vida sexual da mulher de mais de 80 anos?”.

Gilda, de 81 anos, responde:

“Olha, é mais comedido porque não é como quando você tem 20 anos que você vai com muita sede ao pote. Quando você é jovem você vai, tem luz ou não tem luz, transa na praia. Mais velha você tem uns subterfúgios, bota uma musiquinha, uma meia-luz ali, uma luz que não foque tanto. Às vezes dá certo, às vezes dá errado. Mas tudo o que você sentia, ou seja, atração, tesão, continua existindo”.

Gilda é usuária dos aplicativos de relacionamento.

“Hoje em dia, com os aplicativos, está fácil porque você entra, gosta do cara, tem outro cara… Falam mentiras pra cacete. É cada coisa que a gente ouve que até Deus duvida. E você encontra cada louco, mas é divertido. Até que vai chegar numa pessoa bacana. Ou como aconteceu comigo: reencontrei um velho amigo, a gente trabalhou junto, tererê e tarará, e rolou. De vez em quando a gente se encontra e é super divertido. E rola igual, porque o tesão tá lá. O tesão pode estar escondido, estar amortecido, quietinho num canto, mas é só incentivar que o tesão vem com tudo. Porque o tesão está na cabeça, não está embaixo, está na cabeça. E é tão agradável quanto, claro, com mais tranquilidade, com mais calma, mas é muito bom”.

Para ela, o tesão não morre nunca.

As amigas Gilda, 81, com mexa azul no cabelo, e Sonia, 85
As amigas Gilda, 81, com mexa azul no cabelo, e Sonia, 85 – Reprodução

“Não tem essa história: ‘Ah, eu estou velha, não quero mais’, não tem. Velha a gente está mesmo, graças a Deus, calcula se a gente não estivesse velha, onde a gente iria estar? Nem tesão nem o resto. Então eu acho que é uma coisa da cabeça e você tem que deixar aflorar porque é como qualquer outra função no corpo. E sempre vai ter alguém que vai gostar, sempre: gosta do teu olho, gosta do teu pé, da tua mão, enfim… Você vai achar. Depende de cada uma, de como você se sente, o que você quer, mas não é uma coisa que fala: ‘nunca mais’.”

O mais importante é a química, o resto não importa, diz Gilda.

“Faça como quiser. Não tem regra: tem que ser da mesma idade, tem que ser mais velho, tem que ser mais novo, não. Apareceu, gostou, deu certo, deu química, bacana. É pra vida toda? Não! É para aquele momento que você relaxa, que é gostoso, que é bom demais. Se rolar outra vez parabéns, se não rolar a fila anda, meu bem. É isso, pra mim, é isso. Agora a Sonia pode ter outra visão.”

Sonia, de 85 anos, diz que ficou muito mais exigente e seletiva depois de velha:

“Não é que eu discorde de você, mas eu sou muito cética. A vida sexual depois dos 80 é uma merda. Mas cada um administra do jeito que quer e está tudo certo, quem quer quer, quem não quer não quer. Tesão é tesão, não acaba nunca, concordo. Mas executar é bem difícil. O problema não sou eu, é encontrar o par.”

As Avós da Razão enfatizam que o mais importante é respeitar a diversidade e singularidade das escolhas e desejos femininos, em qualquer idade, sem patrulhas, sem preconceitos e estigmas.

Existem mulheres que adoram transar e os aplicativos facilitaram os encontros (apesar das mentiras e dos golpistas);

As que preferem os brinquedinhos sexuais;

As que nunca gostaram de transar, que se aposentaram do sexo e acham a velhice uma libertação, pois não se sentem mais obrigadas a transar;

As que querem encontrar um par, mas acham bastante difícil achar um que combine;

As casadas há muito tempo que perderam o tesão, mas valorizam o companheirismo;

As que encontraram amantes virtuais;

As que pagam por sexo;

As que gostam de namorados mais jovens;

As que têm mais tesão em outras atividades e propósitos, não no sexo;

As que têm preguiça, as que preferem dormir, fazer compras ou se divertir com as amigas;

As que nunca tiveram orgasmos;

E muito mais…

Será que ainda rola sexo na maturidade? Ou será que o tesão acaba com a idade?

FONTE: FOLHA DE S.PAULO