Quando a Renda Cai e os Gastos Aumentam, as Barreiras Crescem
Envelhecer no Brasil não é mais como antigamente. Se, por um lado, há mais oportunidades para lazer e bem-estar, por outro, os desafios financeiros se tornam cada vez mais evidentes. Com o avanço da idade, os gastos com saúde e moradia aumentam, enquanto o poder de compra – especialmente o dos aposentados – diminui. O problema se agrava quando instituições financeiras, seguradoras e imobiliárias impõem barreiras, dificultando ainda mais o acesso a serviços essenciais.
Os Principais Obstáculos
- Crédito e Cartão de Crédito
Cancelamento indevido, redução de limite e até recusa na emissão de cartões são práticas comuns contra idosos, mesmo sendo proibidas por lei. A renda pode ser menor, mas a discriminação etária não pode ser usada como justificativa para restringir crédito. - Planos de Saúde
O Estatuto do Idoso proíbe a exclusão de clientes por idade, mas a realidade é outra. Muitos enfrentam reajustes abusivos ou dificuldades para manter o plano ao se aposentarem. Em contratos coletivos, algumas operadoras tentam rescindir unilateralmente o serviço. - Financiamento e Seguros
A idade pode impactar o prazo de quitação de financiamentos e até a aceitação de seguros. No crédito imobiliário, por exemplo, a idade do tomador determina o tempo máximo do contrato. Já em empréstimos consignados, há limites para evitar comprometimento excessivo da renda. - Aluguel de Imóveis
Recusar locação para idosos é crime de discriminação, mas ainda ocorre. Além disso, algumas imobiliárias impõem restrições a fiadores acima de 65 anos, o que dificulta ainda mais o acesso à moradia.
Direitos e Alternativas
O Estatuto do Idoso protege contra práticas abusivas. Bancos, seguradoras e imobiliárias não podem restringir serviços com base unicamente na idade. Denúncias podem ser feitas ao Procon e ao Ministério Público. Além disso, há crescente mobilização para combater o etarismo financeiro e promover mais inclusão na economia.
O envelhecimento da população brasileira exige uma mudança de mentalidade. A sociedade precisa entender que pessoas mais velhas continuam economicamente ativas e têm direito ao consumo sem barreiras injustificadas. Afinal, o mercado quer que os idosos consumam, mas sem correr riscos – e essa conta não fecha.
fonte O Globo / com edição da AAPJR
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