”O ponto em comum entre esses idosos é a vida social ativa. Eles mantêm vínculos. Conversam, participam de atividades em grupo, cultivam amizades ao longo do tempo e se envolvem com a comunidade”
Envelhecer não significa, necessariamente, perder a memória ou a clareza mental. Embora muita gente associe idade avançada ao esquecimento, alguns idosos desafiam completamente essa ideia. Eles passam dos 80 anos com uma memória comparável à de pessoas décadas mais jovens. E isso não é força de expressão, é ciência.
Esses idosos são chamados de “superidosos” e vêm sendo estudados há anos por pesquisadores. Para fazer parte desse grupo, não basta estar lúcido. Eles precisam demonstrar, em testes objetivos, uma capacidade de memória acima da média para a idade, como lembrar listas de palavras após longos intervalos, algo que muitas pessoas jovens não conseguem fazer.
O que mais chama atenção é que eles não têm em comum dietas milagrosas, rotinas extremas de exercícios ou suplementos caros. O fator que mais se repete entre eles é outro, muito mais acessível e humano.
O ponto em comum entre esses idosos é a vida social ativa.
Eles mantêm vínculos. Conversam, participam de atividades em grupo, cultivam amizades ao longo do tempo e se envolvem com a comunidade. Muitos fazem trabalho voluntário, participam de grupos religiosos, clubes ou encontros regulares com familiares e amigos. Não se isolam.
Estudos mostram que o cérebro desses idosos apresenta características impressionantes. Uma área chamada córtex cingulado anterior, relacionada à emoção, motivação e interação social, costuma ser mais espessa neles do que em pessoas bem mais jovens. Essa região também abriga neurônios associados à empatia, à tomada de decisão e à resiliência cognitiva.
Outro dado curioso é que alguns desses idosos apresentam alterações cerebrais típicas de doenças neurodegenerativas, mas sem demonstrar perda cognitiva significativa. Isso sugere que o cérebro deles desenvolveu uma espécie de proteção funcional, conseguindo continuar operando bem apesar das lesões.
Os cientistas explicam esse fenômeno por dois conceitos importantes: resistência, quando o cérebro evita o acúmulo de danos, e resiliência, quando consegue funcionar bem mesmo diante deles. Em ambos os casos, a vida social ativa aparece como um fator decisivo.
A mensagem que fica é simples, mas poderosa. Cuidar do cérebro não é apenas fazer palavras cruzadas ou exercícios mentais. É manter conexões reais, sentir pertencimento e continuar se relacionando com o mundo.
Memória não é só uma questão biológica. É também emocional, social e relacional.
Fontes: Northwestern University SuperAging Research Program; Journal of Neuroscience; Alzheimer’s & Dementia Journal.
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