Interrompido quando estava 5 a 5, o STF retoma este mês o julgamento da revisão da vida toda que pode beneficiar milhares de aposentados do INSS. Falta apenas o voto do ministro Alexandre de Moraes
No próximo dia 25 o Supremo Tribunal Federal (STF) retoma o julgamento virtual da ação conhecida como “revisão da vida toda do INSS”. A previsão é que a decisão final sobre saia até o dia 9 de março.
Na ação judicial, os aposentados pedem que os contribuintes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) antes de 1994, e que tenham se aposentado no máximo há dez anos, tenham o direito de pedir a revisão da aposentadoria.
O motivo é que, em 1999, em função da inflação e da mudança de moeda do Cruzeiro para o Real, o governo decidiu que o cálculo do benefício desconsideraria os valores das contribuições antes de julho de 1994, valendo apenas a contagem do tempo. Essa mudança prejudicou os trabalhadores e trabalhadoras que tiveram ganhos maiores até 1994.
Quem pode ter direito
A ação que corre no STF será válida apenas para quem se aposentou antes da reforma da Previdência, ou já tinha direito a se aposentar na mesma época. Poderão pedir aposentados por tempo de contribuição, por idade, aposentadoria especial, por invalidez, quem recebeu auxílio-doença ou pensão por morte.
Quem não tinha o tempo de contribuição ou idade para se aposentar até 19 de novembro de 2019, não tem direito a pedir à revisão da vida toda.
Caso a revisão da vida toda seja aprovada, em vez de o cálculo ser feito com base nas 80% maiores contribuições ao INSS, será feito com base nos 100% de tudo aquilo que o trabalhador pagou ao INSS.
Na avaliação da advogada Camila Cândido, especialista em Previdência do escritório LBS, que atende a CUT Nacional, a revisão da vida toda “é uma questão de justiça”.
“Rever uma lei que limitou, por conveniência, o trabalhador de receber o que tem direito, pois a contribuição que ele fez anteriormente, que poderia aumentar o valor da aposentadoria, não foi considerada, é uma questão de Justiça”, afirma a advogada, que complementa: “Foi uma apropriação no cálculo do benefício”.
De acordo com a advogada, é importante os aposentados que têm direito fazerem as contas antes de pedir a revisão.
Somente quem teve salários mais altos antes de 1994 será beneficiado com um valor maior no benefício
O julgamento
O julgamento da ação pedindo revisão da vida toda ao INSS havia sido paralisado em junho do ano passado quando estava empatado – cinco votos a favor e cinco contrários à revisão. Agora só falta o voto decisivo do ministro Alexandre de Moraes.
Votaram a favor da revisão o relator da ação, ministro Marco Aurélio, e os ministros Edson Fachin, Cármen Lúcia, Rosa Weber e Ricardo Lewndowski.
Votaram contra os ministros Kássio Nunes Marques, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), Dias Toffoli, Roberto Barroso, Gilmar Mendes e Luiz Fux.
Em junho, Moraes pediu vistas após advogados solicitarem a suspensão do julgamento para que o governo apresentasse estudos econômicos sobre o impacto que a decisão em favor dos segurados pode trazer à União. A Secretaria de Previdência do Ministério da Economia estima um gasto de R$ 46,4 bilhões, de 2015 a 2029. Especialistas do setor duvidam dos cálculos.
“O atual governo é mentiroso e altera a realidade fática dos números. A própria reforma da Previdência foi aprovada com base em números falsos, diziam que estaria falida, o que não era verdade. O mesmo ocorreu com a PEC dos Precatórios, que adiou o pagamento de dívidas da União com aposentados. Por isso temos bastante elementos para duvidar deste governo”, diz Camila.
ASSOCIADOS AAPJR PODEM PEDIR ORIENTAÇÕES AO DEPARTAMENTO JURÍDICO DA ASSOCIAÇÃO.
FALE COM NOSSO DIRETORES