Os brasileiros acima de 50 anos das classes C, D e E estão vivendo mais e trabalhando por mais tempo. Nem sempre por escolha, mas por necessidade. Mesmo com renda baixa, são frequentemente os principais provedores da família e movimentam cerca de R$ 180 bilhões nas comunidades onde vivem.
Os dados são do estudo “Velhices Periféricas: o descompasso entre os tempos de viver, trabalhar, cuidar e sustentar”, realizado pela data8, empresa de pesquisa especializada em comportamento e longevidade. O levantamento reuniu pesquisas quantitativas e qualitativas e entrevistas presenciais na Grande São Paulo.
A aposentadoria é a principal fonte de renda para apenas 3 em cada 10 pessoas acima de 50 anos nessas classes sociais. Entre os aposentados da classe D, 52% continuam trabalhando. O trabalho autônomo é predominante: 41% vivem dessa modalidade, enquanto apenas 2% têm previdência privada.
A renda média mensal gira em torno de R$ 1.600 nas classes C e D, bem abaixo dos R$ 7.800 das classes A e B. Ainda assim, esse público sustenta economias locais e mantém o consumo ativo, mesmo com pouco acesso a produtos financeiros. Cerca de 15% não têm nenhum tipo de serviço bancário.
O envelhecimento nas periferias tem perfil definido: maioria feminina, preta ou parda, vivendo com filhos e netos e ajudando financeiramente a família. Ao mesmo tempo, muitas relatam solidão e falta de apoio. A religião, especialmente a evangélica, é um dos principais pilares de sustentação emocional e comunitária.
O estudo também aponta desigualdades profundas na expectativa de vida dentro da mesma cidade. Em bairros mais ricos, ela pode ultrapassar os 80 anos; em regiões periféricas, não chega aos 60.
Mais do que envelhecer, essa geração segue produzindo, cuidando e sustentando, mesmo com menos renda, menos proteção social e mais vulnerabilidade.
com reportagem e dados da Folha de S. Paulo
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