A Alesp aprovou nesta terça-feira (11) o projeto que extingue a Fundação para o Remédio Popular, a FURP, e transfere suas atividades para o Instituto Butantan. A votação foi simbólica e o texto final teve mudanças importantes em relação ao que o governo havia enviado.
Foram retiradas do projeto a venda dos imóveis da FURP. A fundação mantém uma fábrica em Guarulhos e outra em Américo Brasiliense. Também foi retirada qualquer possibilidade de demissões. Assim, qualquer decisão sobre o patrimônio da entidade precisará de um novo projeto de lei. Os 490 funcionários serão transferidos para a Secretaria de Estado da Saúde.
“O fechamento da FURP traz impactos diretos e graves para a população, especialmente para quem vive em situação de vulnerabilidade. O risco de desabastecimento é real: a FURP é responsável por grande parte da produção de medicamentos populares, fundamentais no tratamento de doenças como hipertensão e diabetes, distribuídos pelo Farmácia Popular e pelas UBS”, avalia Fé Juncal, diretora da AAPJR.
Para a direção da entidade, trata-se de um desmonte da Fundação que abre caminho para a falta desses remédios essenciais e, como aponta a bancada do PT na Alesp, atende aos interesses das grandes farmacêuticas.
”Mais uma vez, vemos a Alesp legislar contra a população ao aprovar a incorporação da FURP ao Instituto Butantan. E fica a pergunta que não pode ser ignorada: o que acontecerá com os trabalhadores e trabalhadoras da FURP?”, contesta Fé Juncal.
A FURP produz remédios usados na rede pública. Já fabricou 80 tipos de medicamentos e atualmente produz 30. O governo afirma que a extinção busca reduzir gastos, porque a fundação acumulou déficit de 395 milhões de reais entre 2011 e 2023.
Parlamentares contrários à proposta defenderam a permanência da FURP e ressaltaram sua importância estratégica para garantir remédios mais baratos para o SUS, especialmente em períodos de crise como a pandemia.
Também alertaram que o Instituto Butantan tem foco principal em vacinas e que isso pode prejudicar a continuidade da produção de medicamentos essenciais.
O Instituto Butantan informou que a produção não será reduzida. A instituição afirmou que pretende manter e ampliar a fabricação de medicamentos e que as fábricas de Guarulhos e Américo Brasiliense continuarão funcionando normalmente.
fonte G1 com edições AAPJR
foto Agência Brasil
