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Mortos pela barragem da Vale chegam a nove. Desaparecidos são 300

Governador Zema afirma que chance de sobreviventes é mínima. MAB solicita auxílio para envio de brigadas para ajudar bombeiros nas buscas por corpos e distribuição de itens de primeira necessidade

Até as 9h30 da manhã deste sábado (26), era de nove o número oficial de mortos do desastre ambiental provocado pelo rompimento de uma barragem da mineradora Vale no município de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, aproximadamente 300 pessoas estão desaparecidas e 189 foram resgatadas com vida na região.

Ainda segundo a corporação, de 100 a 150 pessoas estavam na área administrativa da Vale – a maioria delas no refeitório, já que o rompimento ocorreu no início da tarde, quando a maioria dos trabalhadores almoçava; outras 30 pessoas estavam na região da Vila Vértico, zona rural da cidade; aproximadamente 35 estavam numa pousada a algumas centenas de metros da barragem e, ainda, de 100 a 140 estavam na região do Parque das Cachoeiras.

Ainda na noite de sexta (25), dia da tragédia, o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), afirmou que as chances de que os desaparecidos sejam encontrados com vida são mínimas: “Vamos resgatar somente corpos”, afirmou.

O Instituto Inhotim, um dos maiores centros de arte ao ar livre da América Latina e que fica em Brumadinho, foi esvaziado por medida de segurança e permanecerá fechado no fim de semana.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) divulgou pedido de apoio financeiro para viabilizar o envio de brigadas para a região atingida, onde atuarão no auxílio ao resgate das vítimas, apoio psicológico e social e organização de busca e distribuição de bens de primeira necessidade.

Contribuições podem ser depositadas na conta bancária: 

Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social – AEDAS
Banco do Brasil
Ag: 1228-9
CC: 61472-6

Risco de rompimento foi objeto de discussão na reunião que licenciou barragem

“Em uma negligência qualquer de quem está à frente de um sistema de gestão de risco, aquilo rompe”, disse na época o representante do Ibama

O risco de rompimento na mina Córrego do Feijão, que acabou ocorrendo nesta sexta (25), foi objeto da discussão em dezembro, de acordo com a ata da reunião extraordinária do órgão ambiental de Minas Gerais, que aprovou de forma acelerada a ampliação das atividades do complexo Paraopeba, cuja mina faz parte.

Após ampla e acalorada discussão, com manifestação contrária da comunidade local por causa de possíveis abalos hídricos, representantes do governo estadual e das empresas aprovaram com folga as licenças: 8 votos contra 1, com 1 abstenção.

O representante do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Julio Cesar Dutra Grillo, justificou a abstenção citando ações que considerava corretas por parte da empresa, mas fez um alerta.

“Esse projeto traz algumas novidades positivas. Uma delas é o descomissionamento [eliminação] de uma barragem de 10 milhões que 2889 está acima de Casa Branca. A população de Casa Branca está preocupada com muitas coisas, com toda razão, mas não manifesta preocupação sobre aquilo que eu considero que é potencialmente o maior problema de Casa Branca”, disse Grillo.

“O que é esse problema? Casa Branca tem algumas barragens acima de sua cabeça. Muita gente aqui citou o problema de Mariana, de Fundão, e vocês têm um problema similar. E ali é o seguinte, essas barragens não oferecem risco zero. Em uma negligência qualquer de quem está à frente de um sistema de gestão de risco, aquilo rompe. Se essa barragem ficar abandonada alguns anos, não for descomissionada, ela rompe, e isso são 10 milhões m³, é um quarto do que saiu de Fundão, inviabiliza Casa Branca e inviabiliza ao menos uma das captações do Paraopeba”, acrescentou.

Mais cedo, ele havia dito que qualquer projeto que de mineradora que cai no órgão é aprovado porque os ambientalistas são minoritários.

A aprovação, com um licenciamento único e mais rápido, foi obtida através de uma diminuição do potencial de risco da barragem.

Os moradores, organizados no Movimento das Águas de Casa Branca, realizam uma série de ações há pelo menos 10 anos contra o avanço da mineração na região. Desde que as ameaças passaram a ser mais incisivas, habitantes de Casa Branca participaram de audiências públicas, atos e puxaram um abaixo-assinado que conta com 82 mil assinaturas.

fontes: Rede Brasil Atual e Revista Fórum / foto: Rede Record MG